Entrevista para Revista ÉPOCA

10/12/2009

Juarez Cotrim, dono da Cerâmica Luara, uma pequena olaria da cidade de Panorama, a 750 quilômetros de São Paulo, se sentiu horrorizado quando soube quanto custaria tornar sua fábrica de tijolos em um negócio verde. Era início de 2006, o tema das mudanças climáticas não estava tão em evidência quanto agora, e os fornos da Luara queimavam madeira nativa da região, vendida por metro em caminhões na principal avenida da cidade de 16 mil habitantes.

Para reduzir a emissão de gases, ele investiu cerca de R$ 300 mil - do próprio bolso - para substituir os fornos tradicionais por queimadores de biomassa, feita de pó de madeira reflorestada e bagaço de cana. Teve de correr atrás dos novos fornecedores de combustível e gastou ainda mais tempo e dinheiro treinando seus funcionários. "Arrisquei alto quando decidi seguir a estratégia de produzir sem prejudicar o meio ambiente", diz Cotrim. "Tive medo dos custos, mas decidi ir adiante, porque vi oportunidade de crescer."

Deu certo. Com o apoio de instituições como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), a Luara se tornou a primeira empresa do setor de cerâmica vermelha a reduzir suas emissões. Cotrim afirma que consegue produzir hoje 30% mais tijolos com o mesmo custo de 2005. Desde 2007, ele já vendeu dois lotes de créditos de carbono no mercado internacional - e isso lhe rendeu cerca de meio milhão de reais. Cada centavo foi reinvestido na empresa, em atividades como melhorar sua eficiência energética. "Não é um caminho fácil. Até hoje, meu investimento em tecnologia limpa é alto. Mas vale a pena."

Fonte:

https://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,ERT110068-15223,00.html